sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Razão de Ser

Existe uma fina linha que separa a calma do descontrolo, a lucidez da embriaguez, o permanecer e o deixar de estar. Tudo é efémero e assim terá de ser, para podermos continuar a jogar à cabra-cega nestes dias precipitados. Gostamos de jogar porque sem jogo não há batalha, não há sentido, vitória ou derrota. Precisamos disso como de pão para a boca, porque a nossa condição é essa...humana.
Mais ou menos complexos, no fundo, todos queremos o mesmo. As histórias giram em torno das mesmas temáticas, as dores são semelhantes, os sonhos são sempre sonhos e por aí fora.
É verdade que somos ínfimos neste grande Universo, mas brutalmente interligados, condicionados e influentes na vida uns dos outros. O senhor que trabalha atrás do balcão do café, o carteiro, a vizinha de cima, o melhor amigo, a mãe. Cruza-mo-nos para que nos possamos cruzar novamente, mais adiante e para que através do carteiro, tenhamos de ir levantar uma encomenda aos correios, onde nos esbarramos com alguém que não víamos há tanto tempo... Interligados, pois.
Há qualquer coisa de muito humano em tudo isto, um fio condutor de incerteza que nos torna vulneráveis. O tal permanecer e deixar de estar. Faz sentido que assim seja. Sem qualquer tipo de medo, somos desgovernados.
Existe uma fina linha que separa, mas que une igualmente. Razão? Todos temos e ninguém tem.